Sol a pino, chapéu de palha na cabeça, matulão nas costas, cabaça d’água, roçadeira no ombro, sapatos de couro, João caminha silenciosamente. Pula o passador da cerca, se chega na sombra da velha aroeira e coloca o seu rango do dia. Mais um preparo da terra, pensa Joao, olha para o céu, no mesmo ritual de todos os anos, e pede a Deus proteção e chuva para a sua lavoura. Os meses passam, João entristecido e desanimado, chão rachado, calor infernal, falta água, o pasto escasso, animais famintos, pássaros tristes, o anum chora, a braúna não gorjeia, o bem-te-vi cabisbaixo e o beija-flor rodopia ao redor dos galhos secos da roseira. Cala o sertão! Nenhum broto de feijão, pensa desiludido João, como vou casar com a minha linda Maria? Resmungou. Ergueu mais uma vez os olhos para o céu, nenhum sinal dos deuses, pegou a malinha de couro cru, o seu chapéu de palha e foi-se na estrada carroçavel abriu a porteira, tomou o pau-de-arara e partiu. Prometeu à amada que voltaria quando a chuva cair, o cacto florir, o sabiá cantar e a rosa desabrochar. Era somente uma questão de tempo, previa o desbravado João.