fatima fontenele lopes
Rascunhos da alma
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Foto: Ticiano Fontenelle

TOCA O SINO

Como de costume, ela adentra pela porta lateral da matriz na sua cidade natal. Alheia, ela percorre o templo, olha atentamente as paredes brancas, o teto, as portas, as luminárias, quadros antigos, os inúmeros bancos maciços e se detém encantada nos antigos retábulos de madeira que ficam atrás do altar. São torres lindíssimas que abrigam estátuas que simbolizam a fé de um povo. Nas paredes ao lado, molduras que representam Jesus através da arte da via sacra, via dolorosa ou os passos da paixão, o caminho para o calvário, e o última simboliza o seu sepultamento. Atenta, ergue o olhar para o alto e, deslumbrada, olha as pinturas do teto com temas religiosos: Jesus, a virgem Maria, santos, anjos e passagens bíblicas no sentido de reforçar a fé cristã. Absorta, fixa o olhar no coro da igreja, que fica acima da entrada da matriz, uma pequena sacada com grades de proteção de ferro decoradas e com uma escada no recinto ao lado para subida e descida do coral. Ela flutua no pensamento, podia ver a Pia Batismal num recinto pequeno logo na entrada da catedral, no altar a mesa grande com uma linda toalha branca bordada, castiçais, cálices e flores. E, pertinho da mesa da palavra ou ambão, onde se pregava a palavra de Deus, as leituras e a homilia. Ela caminha nos côncavos da memória, parou triste na cruz onde estava o Cristo crucificado. De longe, viu o sacrário com uma luz sempre acesa que ficava no fundo do altar. Emocionada viaja no tempo, vai aos recintos ao lado da sacristia e, por último, no cômodo final, um salão enorme com diversas cadeiras. No instante, viu-se ali sentadinha ao lado de outras crianças com a catequista para aprender os rituais religiosos da primeira comunhão. Por fim, saiu da igreja, admirou a beleza da sua fachada, a coluna da hora, os dois galos que ornamentavam suas torres com maestria. Num reviver saudoso da sua infância, ela desperta com o costumeiro repicar do sino ao amanhecer. Rapidinho, toma a benção ao seu papai e a sua mamãe e, saltitante segue feliz.

 

Maria de Fátima Fontenele Lopes
Enviado por Maria de Fátima Fontenele Lopes em 20/10/2025
Alterado em 20/10/2025
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