fatima fontenele lopes
Rascunhos da alma
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O MEU QUINTAL

 

Vira e mexe, eu volto naquele antigo quintal, redesenho no pensamento detalhes mirabolantes do lugar. Bem no meio estava a inquietante cacimba, - Ah, meu Deus! Ela ali de boca aberta, imponente, com uma parede estreita ao seu redor, pondo em risco a vida da menina que, inocentemente, com um baldezinho pequeno e uma corda grande, puxava lá do fundo a água para as suas costumeiras brincadeiras. Do lado direito do muro, um amontoado de lenha; do lado esquerdo, um descabelado pé de goiabeira quase sem folhas, provocado pela calidez do sol. Na pequena sombra, a garota sentadinha acompanhava atentamente os bichinhos que ali passavam, tentava a todo custo contar as perninhas da centopeia, sempre atenta aos insetos voadores, pois tinha muito medo. Aquele pedaço de chão representava instantes de descobertas e alegria. Ah!? como era instigante cutucar o bonito sapo-cururu — Cuidado, menina, dizia a mãe, a urina dele pode lhe cegar se cair nos  olhos. Terra seca, apenas um pequeno quadrado tão cheio de significado, crianças, aves, bichos, insetos, o belo encontro da natureza. A menina amava o portão que dava para o rio que corria majestoso, onde podia-se ver a correnteza veloz fazendo furdunço nas pedras, carregando galhos e à noite refletindo o clarão da lua nas suas límpidas águas. O meu quintal, rascunho da minha infância, escrito no assoalho da minha memória e hoje transcrito em versos saudosos no caderno pautado da minha silenciosa e doce imaginação.

Maria de Fátima Fontenele Lopes
Enviado por Maria de Fátima Fontenele Lopes em 30/01/2026
Alterado em 01/02/2026
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