fatima fontenele lopes
Rascunhos da alma
Capa Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livro de Visitas Contato

                                                                                   FOTO:Ticianofontenelle 

A DOCE  MAGNÓLIA

 

A chuva fina batia melosa na vidraça da pequena janela do meu quarto. De longe, ouvia-se o tilintar dos pingos na estreita sacada onde num cantinho repousava a doce Magnólia, o rosa de suas pétalas sorria para a fria brisa que de mansinho tocava as folhas da roseira. Pela fresta da janela, eu, silenciosa, sentia a beleza daquele lindo encontro. Num cantinho qualquer do jardim, escutei o cricrilar do grilo, o coaxar do sapo feliz pela sutileza e encanto da natureza. Sutilmente lembro do anoitecer no sertão, da água escorrendo no terreiro, da bicharada recolhida debaixo do alpendre. A escuridão realçava o clarão dos relâmpagos sobre o velho telhado, o trovão parecia sacudir a minha rede armada no comprido salão. O medo fazia-me tremer, encolhida dentro do meu lençol de algodão branco. O vento sacudia os galhos do gigante juazeiro, a coruja piava temerosa e o cachorro gemia no cantinho da parede. Tudo emudece; o bem-te-vi, o rouxinol, a minha pequenina fogo-apagou e o bonito beija-flor. Fui longe nos meus devaneios; vi a Maria Fumaça deslizar veloz nos trilhos, a ponte com grossos dormentes sobre a brusca correnteza e o caminho estreito ao longo do percurso até o destino final. Meu coração apertou ao despertar da longínqua viagem no tempo. Silenciosamente, voltei a mirar a torrente da chuva, o esplendor do céu tomado pela luminosidade dos raios e pelo impacto de nuvens que faziam estremecer a minha mente, meu corpo e minha alma num suave balanço de amor.

Maria de Fátima Fontenele Lopes
Enviado por Maria de Fátima Fontenele Lopes em 15/02/2026
Alterado em 17/02/2026
Comentários