fatima fontenele lopes
Rascunhos da alma
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SOMENTE NOSSO

 

Dava para sentir o tempo passar naquele pequeno banco  da pracinha. Ali, podia-se ver e contar as estrelas. O céu sorria para nós e a lua agigantava-se prateada, alumiando o belo girassol do nosso lado. Era o primeiro encontro para nós, o vento passeava de mansinho, trazido pela brisa da noite. O perfume da rosa violeta espalhava-se no orvalho frio e nas gotas do fino sereno. De repente, parecia ser primavera, eu e tu de mãos entrelaçadas num inocente abraço. De longe, eu vi o antigo parquinho do bairro, dois balanços; um azul e o outro amarelo. Lembro de mim, sentadinha à tardinha, com meu vestido colorido, minha sandália azul e o bonito laço de fita  nos falhos cabelos. Quantas vezes eu sonhei contigo no vai e vem daquela cadeira. Hoje, fez-se do pensamento o encanto do primeiro beijo. Em mim, em ti, o desejo aflorou como um silencioso chamado da alma. Nosso, somente nosso o momento. O infinito fazia-se presente. O beija-flor cantou naquele instante. A flor amarela balbuciou trêmula. Tu, nós, o eterno e doce amor.

Maria de Fátima Fontenele Lopes
Enviado por Maria de Fátima Fontenele Lopes em 18/02/2026
Alterado em 23/02/2026
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