fatima fontenele lopes
Rascunhos da alma
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O MUNDO ENCANTADO DE JEAN BENÍCIO

 

A chuva caía forte no telhado, relâmpagos clareavam o mágico quintal de Jean Benício. Os bichos recolheram-se todos. Bob, o cachorrinho, ficou escondido numa caixa de papelão e o gato Mion ficou sob a mesinha do quarto. Os dois estavam calçados com chinelos de couro, emprestados pelo menino, para se protegerem de raios ou até mesmo de uma possível descarga elétrica, comuns em temporais. Na caixa também ficou o gatinho Felipe, muito bem aconchegado e tranquilo pela acolhida do bondoso cãozinho, o seu querido e velho amigo. O peixe Júnior tibungou alegre nas correntes da enchente do rio que passava próximo à janela da casa. A tartaruga ninja ficou escondidinha na estante debaixo de duas prateleiras, no casco. A arara picadeira  com os olhos bem arregalados, as suas asas à frente dela e o bico trêmulo de tanta agonia. O hamster Cuí, sobre a cama, todo encolhido com medo do estrondoso trovão. A cobra no guarda-roupa, de boa, como se nada estivesse acontecendo. O polvo Glu, por trás da cortina,  muito assustado com o barulho da inundação. No terreiro, estava a minhoca mexe-mexe, toda enlameada. O macaco pulava de um galho a outro para não se molhar na assustadora tempestade. A borboleta quietinha no seu ninho de folhas verdes. As formigas  bem trancafiadas no formigueiro junto da mãe rainha. O besouro  encolhido nas flores do florido pé de jasmim. O bicho-folha esticado nos galhos do abacateiro, tremendo de frio. Enquanto o bicho-galho bem escondidinho na caixa de correspondência. Estatelado, o coitado do papagaio, língua seca, amedrontado, não conseguia falar nadinhade nada. A coitadinha da centopeia com as suas perninhas atoladas nas folhas secas caídas e molhadas. O gafanhoto batia asas sem parar, de tão avexado com medo do clarão do temporal. O coitadinho do grilo pulava feito um desgramado, não conseguia gritar, nessa hora pensou: para que servem essas asas grandes? Só para me enfeitar? O sapão, o ilustre cururu, não baixava a pose, debaixo da mangueira admirava a beleza da natureza e sorria. A rã cristal no cantinho do banheiro, assustando quem entrava. O menino Jean Benício, de longe, olhava  aflito para os seus lindos bichinhos e insetos de estimação. — Tadinha da joaninha, tão pequenininha e nessa tremenda confusão, dizia. Amava tudo aquilo ali, era o seu paraíso, muitos animais de variadas espécies, pássaros que cantarolavam, irradiando alegria desde o amanhecer e uma diversidade de insetos. Uma grande família, unida, bonita,  engraçada e cheia  de vida, falava o garotinho exaltado. Muitas histórias imaginárias ele conta do seu lindo pedacinho de céu, encoberto por inúmeras estrelas, pela iluminada lua, pelo nascer reluzente do sol e pelas lindas cores do arco-íris. Todo esse cenário embeleza o seu mundo encantado de criança feliz.

Maria de Fátima Fontenele Lopes
Enviado por Maria de Fátima Fontenele Lopes em 01/06/2026
Alterado em 01/06/2026
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